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Palco Intimista: Uma Breve História Notas sobre Coragem



Venho aqui relatar como surgiu a gestão do Palco Intimista e tudo o que tive que amadurecer — e ainda venho — para que esse evento aconteça.

Foi em meandros de 2021, quando iniciava minhas experimentações com o Burlesco e também numa pesquisa com a arte de provocar e tirar a roupa, que nasceu o primeiro desejo de fazer uma espécie de cabaré ali mesmo na minha casa. Naquela época já fazia muitos vídeos caseiros e artísticos (e se você descer o feed do meu instagram, vai encontrar essa minha fase bem experimental, simples porém interessante). Ali era o início de uma nova fase artística após um longo período de circo.

Eu morava numa casa que eu chamava de casa de artista. Era toda linda. Acho que de todas as casas que morei, ela foi a mais charmosa. Idealizada por uma arquiteta que admirava demais. A casa tinha uma escada, um corrimão grosso de madeira. Toda de tijolinho a vista. E entre a sala e a cozinha havia um balcão. E era ali na sala que eu imaginava um lugar intimista e uma espécie de cabaré. Com poucas pessoas, o que deveria caber no máximo dez pessoas.

E no meu caderno que escrevi idealizei este sonho e escutava muito a música do Gil que soprava:


Uma alma que cheira a talco, clara, que só quem é clarividente pode ver


Juntei Palco da música com o Intimista. Assim, nasceu Palco Intimista. E eu achava que este evento aconteceria logo, dentro de seis meses. Mas lógico que não. Foi apenas em 2023 que aconteceu a primeira edição e aconteceu na vitrine da clinica em que eu atendia… Por falta de espaço é que não fui impedida de realizar! E eu já não morava mais na mesma casa.


E todo esse primeiro ensejo já dá para perceber que o Palco Intimista não veio como um plano de negócios, mas como uma extensão da minha própria pele e da arquitetura que me cercava. Assim, este texto aqui é mais do que apenas contar a história de um nome, serve para revelar o que tem por de trás deste evento. Sinto aqui fazendo um strip do Palco em palavras…


Todas as edições do Palco foram constituídas por cenas artísticas de cunho mais erótico. Nas três primeiras edições eu estava como artista e em duas junto com a Luca D´Alessandro e esta é a primeira que estou apenas como produtora e ela também. E está sendo uma grande honra receber o Samuel Menezes. E sinto que falar da performance do próprio Samuel, que é um exorcismo dos pudores, fazer acontecer o Palco Intimista também é exorcizar muitos pudores, já que o evento acontece numa cidade provinciana, mesmo com uma cara de descolada, como Barão Geraldo. É preciso sermos ousadas. Exige coragem e lá no começo posso dizer que eu tinha mais ingenuidade do que coragem de fato. Hoje sinto que além da coragem carrego um cansaço que o não ser mais ingênua me presenteia.


Outro fato que observo na singularidade de todas as edições, é que todas elas têm, por de trás de cenas despudoradas, o habitar de um revelar de uma subjetividade e de uma estética por parte das artistas. E por isso é erótico e não é sobre pornografia.

Em cada apresentação os artistas ali presentes despem a sua verdade. Mostram o seu corpo. Não há coxias. Tudo é revelado. Não tem palco alto. No Palco Intimista, a distância entre quem faz e quem vê é quase inexistente. Isso é uma exposição profunda. Aqui, a respiração do artista se mistura à de quem assiste. Expor a intimidade é permitir que o outro veja o tremor da mão e o suor que escorre, sem o filtro da distância.


E eu quero trazer a sensação que fica quando acaba uma performance deste cunho, deste âmbito íntimo… fica um susto, um vácuo na alma, porque o que foi entregue ali é uma presença nua, dilatada, Viva. Uma vulnerabilidade artística  como Potência.


Como você sairá após essa experiência? Apenas você poderá dizer. Mas adianto: a arte, aqui, não vem para distrair ou agradar, e sim para mobilizar questões profundas da existência — a vida, os traumas, a morte, a poesia e o erotismo. No mínimo, você sairá com uma dose de coragem. Mas o que virá depois? Só você poderá descobrir.




foto do Manifesto Sensorial com a Luca, no primeiro Palco numa Vitrine. foto de Gustavo Jannini.


 
 
 

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