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Cosmogonia do Ateliê: entre Raízes, Sol e Lua.

Atualizado: 12 de mar.



Sinto de trazer mais clareza aqui para os meus serviços e, mais do que isto, uma clareza de costura entre eles, especificamente, no que se refere aos atendimentos: as massagens Solar e Lunar. E sou muito grata à arte porque foi a partir dela e, especificamente, da performance Eclipse, que nasceu a cosmogonia dos serviços.


Ontem mesmo li na minha mais recente leitura de Doris Lessing, O Carnê Dourado, que na essência do livro dela, “sua organização, tudo nele, diz explicitamente que não devemos formar compartimentos”. É sobre isto que desejo falar, tendo como enfoque a Vitalidade, já que ela é mais sobre um ecossistema do que uma peça isolada.


Dentro dessa abrangência, é importante destrinchar a palavra Cosmogonia, que vem do grego kosmos ("mundo/ordem") e gonos ("nascimento/gênese”). Portanto, qual é a origem do Ateliê? Para que surgisse aqui, nestas “Raízes”, a esfera Solar e a esfera Lunar?


Como já dito, foi na performance Eclipse, em 2023, que tudo se revelou. Percebi que meus atendimentos com o corpo poderiam não apenas ajudar as pessoas com suas questões mais objetivas de incômodos corporais, mas também fazê-las se conectar com algo bem singelo: o sentir em conexão com o próprio corpo e um cuidado com o estado de presença, de aproveitar a vida no aqui e agora. Naquela época, refletia que as pessoas, ao contemplarem uma manifestação artística, sentem menos a obra justamente porque estão rígidas dentro de si, nas suas próprias tensões e fechadas em suas couraças musculares. A arte, no meu ponto de vista, é provocação, poesia e política ao mesmo tempo. Mas como afetar se os espectadores não sentem tanto? Ou se mais julgam, presos nas suas estruturas mentais, do que se permitem ser absorvidos?

Assim, elaborei que meus atendimentos seriam uma proposta muito interessante de costurar as coisas — na época, com a arte. Essa ideia de sensibilização surgiu quando assisti ao documentário Espaço Além – Marina Abramović e o Brasil e vi um trabalho dela chamado Objetos Transitórios para Uso Humano (Transitory Objects for Human Use), onde ela usa cristais para preparar o espectador. Ali eu entendi que o corpo precisa ser "preparado" para a experiência da vida. E assim surgiram estes nomes: SOLAR e LUNAR, partindo do óbvio que ocasiona o Eclipse.


Longe ainda de criar uma jornada tão cosmogônica (atendimentos Solar-Lunar com o entrelaçamento artístico de performances/fotografias), estou mais humilde e me entrelaçando com as necessidades de um corpo outonal. Por agora, desejo deixar-me enraizar-me fundo nos meus serviços, para que continuem sendo este lugar dos “cristais” para as pessoas: como uma limpeza, uma apuração dos sentidos e uma dissolução de carcaças através do trabalho com a fáscia e toda a delicadeza do sistema-pele.


Assim sendo, dentro dessa cosmogonia, a Esfera Solar  traz um cuidado estratégico e técnico com o corpo. É a luz e o conhecimento aplicados à pesquisa de colheitas específicas no "corpo-casa". Através dele, buscamos: Recondução da estrutura ao seu eixo natural; Alívio de dores crônicas por meio da descompressão da malha nervosa e fascial; Aumento da mobilidade e a ativação do core (nosso centro de força). A Esfera Lunar se volta para a malha total do sistema-pele e das necessidades humanas quanto ao toque mais sutil, artístico e, para acender a pulsão de vida. Aqui o corpo deixa de ser apenas um "problema a ser resolvido" para se tornar um território onde a energia criativa flui com autenticidade. Neste espaço, a exposição da vulnerabilidade é o que de fato auxilia na liberação da energia antes desperdiçada com a autoproteção. 


O Sol e a Lua deixam de ser opostos para integrarem uma narrativa de massagens que se complementam. Reconhecer a complexidade da vida é reconhecer a importância das costuras entre as dualidades: o claro e o escuro, o dia e a noite, a consciência e o inconsciente, a vida e a morte, a clareza e o mistério, o conhecido e o desconhecido.


No Raízes Ateliê, o atendimento é mais que um procedimento: é um rito de retorno à integridade — onde o corpo, finalmente sensível e disponível, pode voltar a ser um encontro sagrado entre o que somos e o que podemos criar.



Imagem Eclipse Solar: Canva

 
 
 

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