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O que 2025 me ensinou sobre o Desejo

Atualizado: há 14 horas



O que 2025 me ensinou sobre o Desejo


O ano de 2025 foi um ano de muitas limpezas. Foi o ano em que se fechou um ciclo de tudo o que eu havia intencionado que fosse embora desde 2018. E, pasmem como os ciclos de mudanças são longos; eu também fiquei surpresa. Foi bom compreender isto: a lentidão do tempo e do alicerce dos sonhos, e saber que com o terreno pronto e com uma base dos serviços vindos dos atendimentos Solares e Lunares — ainda tenho que fazer crescer outros projetos no ateliê e estão sendo elaborados com planejamento e sensibilidade. Assim, que seja bem-vindo o ano de 2026!!


Vou compartilhar aqui uma limpeza — a maior de todas e sem a qual meu grande projeto, o Raízes Ateliê, jamais vingaria. Pois, antes dessa limpeza, eu perdi anos e anos, literalmente jogando meu tempo e energia vital pelas janelas da vida. E devo isto aos apaixonamentos, à busca por ter um par e ao amor romântico. Isto foi uma narrativa esdrúxula que me desvitalizou e já chegou a me adoecer. E hoje observo muitas mulheres se distanciando da própria vida por estarem enroscadas nesta grande narrativa que nos colocaram há centenas de anos.


E uma das percepção, dentre muitas outras, nasceu quando notei que no ano passado comecei a ler Em Busca do Tempo Perdido, de Proust para ser validada e amada por um homem. De fato, eu acreditava que era um desejo legítimo, mas percebi que aquele desejo não era meu.

Não que eu não queira ler Proust um dia, mas aquela leitura, naquele momento, não estava agregando em nada à fundamentação do Raízes Ateliê e ao meu "ser mulher". Obviamente, não terminei; parei no primeiro volume e logo desisti. Graças as Deusas. 

E fui apenas ter consciência disto, quando comparei as minhas escolhas literárias e teóricas de 2026 já que as deste ano todas estão me embasando para a narrativa do ateliê e coexistem para me trazer clareza sobre o contexto que nós mulheres estamos, o que me auxilia, em muito, a me fortalecer.


Hoje tenho uma sensação que olho para o buraco, mas não caio mais. Gosto demais dessa poesia que deixarei aqui abaixo, apenas vou fazer uma intervenção poética sobre a poesia do autor que usa demasiadamente a palavra culpa, então a troco por outra. Aliás, um adendo aqui, culpa não conversa jamais com o conteúdo deste texto, muito menos com todas as leituras que venho fazendo que vão justamente ao contrário desta palavra e sentimento tão ordinário...




Autobiografia em Cinco Capítulos Por Portia Nelson


I Ando pela rua. Há um buraco fundo na calçada. Eu caio. Estou perdido... sem esperança. Não é responsabilidade (culpa) minha. Leva uma eternidade para sair dali.


II Ando pela mesma rua. Há um buraco fundo na calçada. Finjo que não o vejo. Caio nele de novo. Não posso acreditar que estou no mesmo lugar. Mas ainda não é responsabilidade minha. Ainda leva um tempão para sair dali.


III Ando pela mesma rua. Há um buraco fundo na calçada. Eu vejo que ele está ali. Ainda assim, caio nele... é um hábito. Meus olhos estão abertos. Eu sei onde estou. É responsabilidade minha. Saio imediatamente.


IV Ando pela mesma rua. Há um buraco fundo na calçada. Dou a volta.


V Ando por outra rua.



Sinto que finalmente posso ter domínio da minha vida e responsabilidade pela mesma. Estudar outras mulheres tem me ajudado demais; é vital se refutar a partir de fatos históricos. Duas leituras recentes foram fundamentais: Calibã e a Bruxa e As Brumas de Avalon. Nelas percebo que muito do que vivemos nos foi imposto. Nossas emoções em relação aos homens costumam estar encaixadas como peças de um quebra-cabeça para montar a lógica de uma dominação. Em outros textos trarei outros aprofundamentos para contar de experiências que me ajudaram de fato a olhar mais para mim e do que realmente importa.


Hoje, pela primeira vez, posso escolher desviar do buraco e vislumbrar outras ruas.

A partir dessa reflexão, fiquei atenta aos meus chamados "Desejos". Sempre me pergunto: isto é para mim mesma ou é para ser vista e me sentir desejada? Sou dona, realmente, dos meus próprios desejos?



Foto de Leandro Pena.

 
 
 

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