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O que 2025 me ensinou sobre o Desejo



O ano de 2025 foi um ano de muitas limpezas. Foi o ano em que se fechou um ciclo de tudo o que eu havia intencionado que fosse embora desde 2018. E, pasmem como os ciclos de mudanças são longos; eu também fiquei surpresa. Foi bom compreender isto: a lentidão das mudanças, e saber que com o terreno pronto e com uma base dos serviços vindos dos atendimentos Solares e Lunares — ainda tenho que fazer crescer outros projetos no ateliê e estão sendo elaborados com planejamento e sensibilidade. Assim, que seja bem-vindo o ano de 2026.


Vou compartilhar aqui uma limpeza — a maior de todas e sem a qual meu grande projeto, o Raízes Ateliê, jamais vingaria, não tenho dúvidas sobre isto. É sobre a não idolatria ao amor romântico e trarei aqui um relato do que me ocorreu no início de 2025 quando eu criei o projeto de ler Em Busca do Tempo Perdido, de Proust.

Eu acreditava que era um desejo legítimo, mas, nestes dias, percebi a verdade: aquele desejo era apenas para ser vista por um homem. Para que ele me achasse inteligente. Aquele desejo não era meu.

Não que eu não queira ler Proust um dia, mas aquela leitura, naquele momento, não estava agregando nada à fundamentação do Raízes Ateliê e ao meu "ser mulher". Obviamente, não terminei; parei no primeiro volume e logo desisti. E logo aquele amor romântico também foi por água abaixo. Graças as Deusas. E eu apenas tive consciencia disto este inicio de ano, quando comparei as minhas escolhas literárias e teóricas de 2026.. Deste ano todas estão me embasando para a narrativa do ateliê e coexistem para me trazer clareza sobre este fenômeno e de me fortalecer. Eu olho para o buraco, mas não caio mais. Deixo aqui uma poesia muito literal que ilustra bem esse processo:



Autobiografia em Cinco Capítulos Por Portia Nelson

I Ando pela rua. Há um buraco fundo na calçada. Eu caio. Estou perdido... sem esperança. Não é culpa minha. Leva uma eternidade para sair dali.

II Ando pela mesma rua. Há um buraco fundo na calçada. Finjo que não o vejo. Caio nele de novo. Não posso acreditar que estou no mesmo lugar. Mas ainda não é culpa minha. Ainda leva um tempão para sair dali.

III Ando pela mesma rua. Há um buraco fundo na calçada. Eu vejo que ele está ali. Ainda assim, caio nele... é um hábito. Meus olhos estão abertos. Eu sei onde estou. É culpa minha. Saio imediatamente.

IV Ando pela mesma rua. Há um buraco fundo na calçada. Dou a volta.

V Ando por outra rua.



Sinto que finalmente posso ter domínio da minha vida. Estudar outras mulheres tem me ajudado demais; é vital se refutar a partir de fatos históricos. Duas leituras recentes foram fundamentais: Calibã e a Bruxa e As Brumas de Avalon. Neles, percebemos que muito do que vivemos nos foi imposto. Nossas emoções em relação aos homens costumam estar encaixadas como peças de um quebra-cabeça para montar a lógica de uma dominação 

Posso escolher desviar do buraco e vislumbrar outras ruas.

A partir dessa reflexão, fiquei atenta aos meus chamados "Desejos". Sempre me pergunto:


isto é para mim mesma ou é para ser vista e me sentir desejada? Sou dona, realmente, dos meus próprios desejos?


Foto de Leandro Pena.

 
 
 
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